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R$ 2,70. A fatura que mudou a conversa sobre dados no Brasil

Empresas de médio porte estão descobrindo que uma infraestrutura de dados moderna pode custar centavos por mês. O segredo não está na nuvem escolhida — está no que ninguém mostra em apresentação.

Era uma terça-feira comum quando Rodrigo Rezende, fundador da Dataholds, consultoria de dados sediada no Paraná, abriu a fatura de nuvem de um de seus clientes para encaminhar o relatório mensal. Ele releu o número duas vezes antes de copiar o valor no e-mail.

R$ 2,70.

Não era erro de digitação. Era a conta real de três meses de operação de uma empresa com R$ 15 milhões de faturamento anual rodando BigQuery como Data Warehouse, com ETL processando dados de hora em hora, Power BI conectado em fonte única e Gemini respondendo perguntas sobre o negócio em português.

Outro cliente teve reação parecida quando viu R$ 1,13 na fatura. Riu. Não de incredulidade, de alívio. Tinha passado os dois anos anteriores pagando por soluções que prometiam inteligência e entregavam planilhas glorificadas.

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O que essas empresas tinham antes

Para entender o impacto dos números, é preciso conhecer o ponto de partida.

A empresa do cliente de R$ 2,70 é uma distribuidora de médio porte. Antes do projeto, os dados comerciais viviam no ERP, um sistema que foi construído para registrar transações, não para responder perguntas. Toda análise passava por exportações manuais para Excel, consolidadas por um analista que gastava boa parte da semana preparando relatórios que chegavam ao gestor com dois dias de atraso.

Reunião de segunda-feira? Os números eram de quinta.

O cliente de R$ 1,13 tinha um cenário diferente, mas igualmente comum: tinha investido em Power BI, contratado um freelancer para construir dashboards, mas os dados vinham direto do banco de dados do ERP via conexão direta. Cada atualização de relatório travava o sistema. Cada mudança no ERP quebrava algum dashboard. O financeiro e o comercial usavam bases diferentes e raramente chegavam ao mesmo número.

Esse segundo cenário é mais perigoso que o primeiro, porque cria a ilusão de que o problema foi resolvido. A empresa tem dashboard. Tem gráfico. Tem cor. Mas não tem dado confiável.

A mudança não começou pela ferramenta. Começou pela conversa.

Antes de qualquer linha de código, a equipe da Dataholds mapeou o que cada área precisava decidir, não o que queria ver, mas o que precisava decidir. Quais indicadores influenciam a operação? Quem usa esses dados? Com qual frequência? O que é urgente e o que é apenas curioso?

Com esse mapa em mãos, a arquitetura foi desenhada para ser enxuta por definição. Os dados saem do ERP, passam por um processo de transformação estruturado, com regras de negócio claras, documentadas, versionadas, e chegam ao BigQuery já no formato que o Power BI precisa consumir. Sem redundância. Sem reprocessamento desnecessário. Sem mover dado que ninguém vai usar.

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É por isso que a fatura fica em centavos: o BigQuery cobra pelo dado processado em consulta. Quando a modelagem é bem feita, as consultas são cirúrgicas. Quando é mal feita, a consulta varre a tabela inteira – e a fatura aparece no final do mês.

A mudança no negócio foi mais visível do que a fatura. Na distribuidora, o gestor comercial passou a acessar o painel de performance direto do celular, antes da reunião de segunda. O analista que passava dois dias consolidando Excel foi realocado para análise de mercado. As discussões sobre número pararam – porque todos olham para a mesma fonte.

Esse modelo escala (e não depende de GCP)

São 20 projetos rodando nesse modelo hoje. Uma rede com quase 40 postos de combustível. Um e-commerce que usa agentes de IA para conversar diretamente com os dados de venda. Uma cooperativa agroindustrial com operação distribuída por diferentes regiões do Paraná.

E um cliente bilionário rodando Microsoft Fabric com resultado idêntico em governança e custo proporcional.

A nuvem não é o ponto. GCP, Azure, AWS: todas funcionam quando a arquitetura é sólida. Todas viram problema quando não é. Já houve caso de GCP mal implantado custando mais que Fabric. A diferença não estava no fornecedor. Estava em quem desenhou a solução.

O que garante o resultado é o que fica invisível no dashboard: modelo dimensional bem definido, camadas de dados organizadas, governança que garante que o dado de hoje vai continuar fazendo sentido daqui a dois anos, e observabilidade para saber quando algo quebrou antes que o gestor perceba.

“Nossa empresa ainda não tem estrutura pra isso”

É a frase mais comum. E a mais equivocada.

Ela vem acompanhada de variações: “Primeiro precisamos organizar os processos”, “Nosso ERP ainda não está 100%”, “Quando crescer mais, a gente investe nisso”.

O problema é que dado bagunçado não se organiza sozinho enquanto a empresa espera. Ele acumula. E quando a empresa finalmente decide endereçar o problema, tem dois anos de histórico inconsistente para tratar.

Os clientes com fatura de R$ 1,13 e R$ 2,70 não são grandes corporações. São empresas de R$ 10 a R$ 50 milhões de faturamento, com times de TI enxutos ou inexistentes, que tomavam decisão por instinto, por planilha ou pelo feeling do dono.

O que faltava não era tamanho. Era o caminho certo para começar.

O que a fatura de R$ 2,70 realmente representa

O número chama atenção porque é absurdamente baixo. Mas esse não é o ponto mais importante.

O ponto é que, por trás desse número, há uma empresa que sabe exatamente o que está vendendo, o que está comprando e o que está perdendo, em tempo real, sem depender de um analista consolidando planilha na véspera da reunião.

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  • (41) 9 9194-9805
  • rodrigo@dataholds.com
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